1. AS RELAÇÕES RACIAIS NO
BRASIL.
“o preconceito e a
discriminação raciais, (...) são encarados como uma espécie de
pecado e de comportamento vergonhoso”. (FERNANDES, Florestan. São
Paulo, 2007).
Para Florestan
Fernandes a origem do preconceito e da discriminação está na
escravidão. Preconceito este que estaria resolvido com o
desenvolvimento econômico do país. Em outras palavras, o autor
focalizou o processo de inserção do negro na estrutura social e
econômica em vias de transformação, e sobre a luta política dos
mesmos.
Thales de Azevedo fez
um panorama da ascensão social de homens de cor na Bahia dos anos
1950. Ao escrever sobre a existência do preconceito de cor na Bahia,
afirma que:
A posição dos que negam inteiramente o preconceito é
a de quem formula um padrão ideal de relações, inspirado "no
desejo que não houvesse (o problema), ou no vão intento de
contribuir para que a sociedade o esqueça" [Rômulo Almeida].
Os que exageram as proporções da questão poderiam ser
personalidades inadaptadas, o que não ocorre sempre; essa exageração
é um poderoso meio para chamar atenção para um problema que se
supõe inexistente ou sem importância e funciona também como uma
forma de agressão contra o grupo discriminante. (AZEVEDO, 1996, p.
154-155)
Ao longo da História do Brasil, discriminação,
racismo e preconceito sempre fizeram parte do cotidiano da vida da
população afro-descendente, refletindo-se ainda mais na vida de
mulheres, homens e crianças prodigiosamente desprestigiados social e
economicamente, situação que, considerando mais de 500 anos de
existência, pouco se alterou.
No Brasil, os programas e iniciativas dos projetos
sociais para combate as discriminações, as desigualdades sociais e
principalmente ao racismo, sempre serão bem vindos, mas, é
necessário que se crie programas e projetos, que não se torne
problemas e frustrações, ao invés de solução. Falamos isso
citando especialmente o sistema de cotas para negros em
universidades, uma vez que se não houver um parâmetro de
classificação de raças, que indique e habilite corretamente quem
faz jus ou não, correrá o risco do programa se transformar em mais
um paliativo, calçado e tomado pelas eternas injustiças que
tradicionalmente negros e etnias sempre foram vitimas.
As Etnias Afro descendentes principalmente são vistas
frequentemente em desvantagem numérica, de poder, de acesso à
elaboração dos discursos oficiais. De cara é exposta a derrota
devido ao fato de não existir justificativas para um possível
embate, sem que se enfrentem as razões fundamentais desta ausência.
O Movimento Negro brasileiro têm comprovado o quanto é
dura a experiência dos negros de terem julgados negativamente seu
comportamento, suas ideias e suas intenções antes mesmo de abrirem
a boca ou tomarem qualquer iniciativa. Têm, eles, insistido no
quanto é alienante a experiência de fingir ser o que não é para
ser reconhecido, de quão dolorosa pode ser a experiência de
deixar-se assimilar por uma visão de mundo que pretende impor-se
como superior e, por isso, universal e que os obriga a negarem a
tradição do seu povo.
O Brasil, país multiétnico e pluricultural. Precisa de
organizações escolares em que todos se vejam incluídos, em que
lhes seja garantido o direito de aprender e de ampliar conhecimentos,
sem serem obrigados a negar a si mesmos e aos grupos étnico-raciais
a que pertencem e a adotar costumes, ideias e comportamentos que lhes
são adversos. E esses, certamente, serão indicadores da qualidade
da educação que estará sendo oferecida pelos estabelecimentos de
ensino de diferentes níveis.
Para Fernandes os problemas raciais eram resultados da
“incapacidade da sociedade nacional de criar rapidamente uma
economia capitalista[...] capaz de absorver os ex-escravos”. Aqui
Florestan dissemina sua principal ideia; de que o negro deixa de ser
visto como negro e passa a ser visto como pobre.
Fernandes, Florestan afirma ainda que as mudanças na
estrutura social na sociedade brasileira desde a abolição da
escravidão não tiveram efeitos profundos sobre a concentração de
riquezas e de prestígio social. E que a posição ocupacional e o
nível de instrução dão ainda o monopólio para os brancos.
Vivemos em um mundo globalizado, e por mais que o tempo
passe sempre vai haver uma discriminação, um preconceito. É quase
impossível existir uma pessoa que não tenha ou teve preconceito nos
dias de hoje, principalmente as crianças, inocentes praticam
preconceito sem saber o que é. Seja ele com o coleguinha que é mais
moreninho, ou mais gordinho, magrinho. A educação devem partir de
dentro de casa, mais de nada vai adiantar se os pais forem
preconceituosos também.
Assim sendo, a educação das relações étnico-raciais
impõe aprendizagens entre brancos e negros, trocas de conhecimentos,
quebra de desconfianças: um projeto conjunto para a construção de
uma sociedade justa, igual, equânime.
2. RELAÇÕES ENTRE UMBANDA E
A IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA.
“O sincretismo
religioso
existente na umbanda dá-se devido a fatores histórico-culturais
presentes na história
do Brasil. Durante
o período de Brasil
Colônia,
os índios e negros mantidos com o trabalho
escravo
eram proibidos de expressar, cultuar ou fazer ritos de acordo com
suas próprias crenças religiosas por conta dos preconceitos (e
medos) dos seus senhores, e tinham que fingir e “aceitar” a
imposição da religião Católica, pois a missão Jesuíta era impor
isso a eles, para que todas as impurezas de espírito fossem
retiradas dos “não-civilizados”. Muitos deles, ao demonstrarem
essa não-aceitação ao catolicismo, acabavam sendo severamente
castigados.” (Sincretismo Religioso na Umbanda )
A Umbanda é uma religião
heterodoxa brasileira, cuja evolução do polissincretismo religioso
existente no Brasil foi resultado de motivações diversas, inclusive
de ordem social, que originaram um culto à feição e moda do país.
“A
Umbanda é a revivescência das crendices absurdas que os infelizes
escravos trouxeram das selvas de sua martirizada pátria africana.
Favorecer a Umbanda é involuir, é aumentar a ignorância é agravar
doenças, é que de modo especial os poderes legislativo e executivo
têm a missão de promover e assegurar.” (SCHERER, 1957:193).
Renato Ortiz retoma a
problemática da cultura brasileira, para a qual as ideias de
modernização e de modernidade já não mais se apresentam como um
projeto, uma realidade que se impõe como tradição. Analisando a
emergência da indústria cultural no Brasil, Ortiz recoloca temas
constantes de nosso debate intelectual, como identidade nacional e
cultura popular.
A cosmologia da Umbanda é
dividida em três níveis: o mundo astral, a terra, e o mundo
inferior ou submundo. O mundo astral é presidido por Deus, e é
seguido por várias linhas. Cada uma é guiada por um orixá, que
frequentemente corresponde a um santo católico. O mundo astral é um
lar hierárquico, onde cada figura religiosa é colocada segundo o
seu nível de evolução espiritual.
Até a chegada da corte
portuguesa, em 1808, a população não possuía um sentimento de
nacionalidade e de patriotismo; e não existia unidade nem em relação
às questões territoriais.
No território colonial
brasileiro existiam vários núcleos coloniais. Os núcleos mais
abastados tinham a oportunidade de estudar na Universidade de
Coimbra, os núcleos menos abastados porém interessados, as duras
penas tentavam se informar através de folhetos e jornais que
começaram a surgir por toda parte.
É bom ressaltar que o
sentimento da identidade nacional ainda não existiam. Após a
constituição do império, o sentimento de nacionalidade ainda era
bastante insípido.
A situação começou a
mudar com o surgimento dos sentimentos de patriotismo e civismo, a
partir de conflitos externos, contra inimigos estrangeiros. O marco
se consolidou com a Guerra do Paraguai (1864-1870). A partir da
vitória brasileira, começaram a surgir símbolos que marcariam o
sentimento de nacionalidade, como a bandeira e o hino nacional.
Alguns outros fatores
exerceram papéis fundamentais na construção do sentimento
nacionalista brasileiro, como a criação do Instituto Histórico e
Geográfico do Brasil (IHGB), em 1838. O instituto foi responsável
por escrever uma história coesa sobre o Brasil, que unia seus mais
diferentes povos em um sentimento de nacionalismo.
A construção da nação
brasileira, o sentimento de nacionalidade, de patriotismo, de civismo
e a identidade nacional foram forjados por uma elite política
imperial. Nesse processo, faltou a participação das camadas
populares da sociedade. Esse fato explica a apatia brasileira em
relação às questões relacionadas à corrupção política e a
ínfima consciência política do povo brasileiro.
Nosso
país é uma “aquarela” de grupos étnicos! Constituída por meio
da colonização do século
XVI e depois, pelas imigrações por voltados séculos XVIII e XIX.
Temos então uma pluralidade de identidades, caracterizada pelas
diferenças. Por conta dessa variedade de identidades, povos e
tradições, os diferentes grupos étnicos fizeram com que ocorressem
em nosso país, um processo chamado de etnicidade, ou seja, grupos
étnicos lutando e reivindicando algo na sociedade, tanto no âmbito
econômico ou político,como ocorre com os índios e os negros.
Um exemplo de etnicidade e
mobilização é a luta
pela igualdade de oportunidades no trabalho e na educação,
distribuição de renda,contra a discriminação étnica-racial
(racismo), etc., que os negros travam no Brasil.
O
Brasil é reconhecido como um dos países com maior diversidade
étnica e cultural do mundo, apresentando uma população de 191,5
milhões de habitantes (dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística - IBGE, em 2009), espalhadas em 26 estados
de federação, mais o Distrito Federal, que apresentam realidades
culturais, sociais e econômicas diferentes.
É
entre os finais do século XIX e início do século XX que acontecem
os primeiros movimentos no sentido de construção de uma identidade
nacional brasileira.
Como se vê, a Umbanda na
identidade nacional brasileira impõe aprendizagens religiosa entre
brancos e negros, trocas de conhecimentos, quebra de desconfianças:
um projeto conjunto para a construção de uma sociedade justa,
igual, equânime.
3.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALENCASTRO,
Luiz Felipe de, O trato dos viventes. São Paulo: Cia das letras,
2002.
http://umbanda-orixas.info/mos/view/Sincretismo_Religioso_na_Umbanda/index.html
– Acesso em 15 de Março de 2013.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_afro-brasileira
– Acesso em 15 de Março de 2013.
AZEVEDO,
Thales - “Democracia racial. Petropoles: vozes 1955.
ZEVEDO,
Thales de. As Elites de Cor numa Cidade Brasileira. Um estudo de
ascensão social & Classes Sociais e Grupos de Prestígio. 2 ed.
Salvador: EDUFBA, 1996.
FERNANDES,
Florestan. O Negro no Mundo dos Brancos; página 81-95. Editora
Global. São Paulo, 2007.
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