martedì 19 marzo 2013

Aluno: Benedito M. Fagundes

-->
1. AS RELAÇÕES RACIAIS NO BRASIL.
o preconceito e a discriminação raciais, (...) são encarados como uma espécie de pecado e de comportamento vergonhoso”. (FERNANDES, Florestan. São Paulo, 2007).

Para Florestan Fernandes a origem do preconceito e da discriminação está na escravidão. Preconceito este que estaria resolvido com o desenvolvimento econômico do país. Em outras palavras, o autor focalizou o processo de inserção do negro na estrutura social e econômica em vias de transformação, e sobre a luta política dos mesmos.
Thales de Azevedo fez um panorama da ascensão social de homens de cor na Bahia dos anos 1950. Ao escrever sobre a existência do preconceito de cor na Bahia, afirma que:
A posição dos que negam inteiramente o preconceito é a de quem formula um padrão ideal de relações, inspirado "no desejo que não houvesse (o problema), ou no vão intento de contribuir para que a sociedade o esqueça" [Rômulo Almeida]. Os que exageram as proporções da questão poderiam ser personalidades inadaptadas, o que não ocorre sempre; essa exageração é um poderoso meio para chamar atenção para um problema que se supõe inexistente ou sem importância e funciona também como uma forma de agressão contra o grupo discriminante. (AZEVEDO, 1996, p. 154-155)

Ao longo da História do Brasil, discriminação, racismo e preconceito sempre fizeram parte do cotidiano da vida da população afro-descendente, refletindo-se ainda mais na vida de mulheres, homens e crianças prodigiosamente desprestigiados social e economicamente, situação que, considerando mais de 500 anos de existência, pouco se alterou.
No Brasil, os programas e iniciativas dos projetos sociais para combate as discriminações, as desigualdades sociais e principalmente ao racismo, sempre serão bem vindos, mas, é necessário que se crie programas e projetos, que não se torne problemas e frustrações, ao invés de solução. Falamos isso citando especialmente o sistema de cotas para negros em universidades, uma vez que se não houver um parâmetro de classificação de raças, que indique e habilite corretamente quem faz jus ou não, correrá o risco do programa se transformar em mais um paliativo, calçado e tomado pelas eternas injustiças que tradicionalmente negros e etnias sempre foram vitimas.
As Etnias Afro descendentes principalmente são vistas frequentemente em desvantagem numérica, de poder, de acesso à elaboração dos discursos oficiais. De cara é exposta a derrota devido ao fato de não existir justificativas para um possível embate, sem que se enfrentem as razões fundamentais desta ausência.
O Movimento Negro brasileiro têm comprovado o quanto é dura a experiência dos negros de terem julgados negativamente seu comportamento, suas ideias e suas intenções antes mesmo de abrirem a boca ou tomarem qualquer iniciativa. Têm, eles, insistido no quanto é alienante a experiência de fingir ser o que não é para ser reconhecido, de quão dolorosa pode ser a experiência de deixar-se assimilar por uma visão de mundo que pretende impor-se como superior e, por isso, universal e que os obriga a negarem a tradição do seu povo.
O Brasil, país multiétnico e pluricultural. Precisa de organizações escolares em que todos se vejam incluídos, em que lhes seja garantido o direito de aprender e de ampliar conhecimentos, sem serem obrigados a negar a si mesmos e aos grupos étnico-raciais a que pertencem e a adotar costumes, ideias e comportamentos que lhes são adversos. E esses, certamente, serão indicadores da qualidade da educação que estará sendo oferecida pelos estabelecimentos de ensino de diferentes níveis.
Para Fernandes os problemas raciais eram resultados da “incapacidade da sociedade nacional de criar rapidamente uma economia capitalista[...] capaz de absorver os ex-escravos”. Aqui Florestan dissemina sua principal ideia; de que o negro deixa de ser visto como negro e passa a ser visto como pobre.
Fernandes, Florestan afirma ainda que as mudanças na estrutura social na sociedade brasileira desde a abolição da escravidão não tiveram efeitos profundos sobre a concentração de riquezas e de prestígio social. E que a posição ocupacional e o nível de instrução dão ainda o monopólio para os brancos.
Vivemos em um mundo globalizado, e por mais que o tempo passe sempre vai haver uma discriminação, um preconceito. É quase impossível existir uma pessoa que não tenha ou teve preconceito nos dias de hoje, principalmente as crianças, inocentes praticam preconceito sem saber o que é. Seja ele com o coleguinha que é mais moreninho, ou mais gordinho, magrinho. A educação devem partir de dentro de casa, mais de nada vai adiantar se os pais forem preconceituosos também.
Assim sendo, a educação das relações étnico-raciais impõe aprendizagens entre brancos e negros, trocas de conhecimentos, quebra de desconfianças: um projeto conjunto para a construção de uma sociedade justa, igual, equânime.

2. RELAÇÕES ENTRE UMBANDA E A IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA.


O sincretismo religioso existente na umbanda dá-se devido a fatores histórico-culturais presentes na história do Brasil. Durante o período de Brasil Colônia, os índios e negros mantidos com o trabalho escravo eram proibidos de expressar, cultuar ou fazer ritos de acordo com suas próprias crenças religiosas por conta dos preconceitos (e medos) dos seus senhores, e tinham que fingir e “aceitar” a imposição da religião Católica, pois a missão Jesuíta era impor isso a eles, para que todas as impurezas de espírito fossem retiradas dos “não-civilizados”. Muitos deles, ao demonstrarem essa não-aceitação ao catolicismo, acabavam sendo severamente castigados.” (Sincretismo Religioso na Umbanda )
A Umbanda é uma religião heterodoxa brasileira, cuja evolução do polissincretismo religioso existente no Brasil foi resultado de motivações diversas, inclusive de ordem social, que originaram um culto à feição e moda do país.
A Umbanda é a revivescência das crendices absurdas que os infelizes escravos trouxeram das selvas de sua martirizada pátria africana. Favorecer a Umbanda é involuir, é aumentar a ignorância é agravar doenças, é que de modo especial os poderes legislativo e executivo têm a missão de promover e assegurar.” (SCHERER, 1957:193).

Renato Ortiz retoma a problemática da cultura brasileira, para a qual as ideias de modernização e de modernidade já não mais se apresentam como um projeto, uma realidade que se impõe como tradição. Analisando a emergência da indústria cultural no Brasil, Ortiz recoloca temas constantes de nosso debate intelectual, como identidade nacional e cultura popular.
A cosmologia da Umbanda é dividida em três níveis: o mundo astral, a terra, e o mundo inferior ou submundo. O mundo astral é presidido por Deus, e é seguido por várias linhas. Cada uma é guiada por um orixá, que frequentemente corresponde a um santo católico. O mundo astral é um lar hierárquico, onde cada figura religiosa é colocada segundo o seu nível de evolução espiritual.
Até a chegada da corte portuguesa, em 1808, a população não possuía um sentimento de nacionalidade e de patriotismo; e não existia unidade nem em relação às questões territoriais.
No território colonial brasileiro existiam vários núcleos coloniais. Os núcleos mais abastados tinham a oportunidade de estudar na Universidade de Coimbra, os núcleos menos abastados porém interessados, as duras penas tentavam se informar através de folhetos e jornais que começaram a surgir por toda parte.
É bom ressaltar que o sentimento da identidade nacional ainda não existiam. Após a constituição do império, o sentimento de nacionalidade ainda era bastante insípido.
A situação começou a mudar com o surgimento dos sentimentos de patriotismo e civismo, a partir de conflitos externos, contra inimigos estrangeiros. O marco se consolidou com a Guerra do Paraguai (1864-1870). A partir da vitória brasileira, começaram a surgir símbolos que marcariam o sentimento de nacionalidade, como a bandeira e o hino nacional.
Alguns outros fatores exerceram papéis fundamentais na construção do sentimento nacionalista brasileiro, como a criação do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB), em 1838. O instituto foi responsável por escrever uma história coesa sobre o Brasil, que unia seus mais diferentes povos em um sentimento de nacionalismo.
A construção da nação brasileira, o sentimento de nacionalidade, de patriotismo, de civismo e a identidade nacional foram forjados por uma elite política imperial. Nesse processo, faltou a participação das camadas populares da sociedade. Esse fato explica a apatia brasileira em relação às questões relacionadas à corrupção política e a ínfima consciência política do povo brasileiro.

Nosso país é uma “aquarela” de grupos étnicos! Constituída por meio da colonização do século XVI e depois, pelas imigrações por voltados séculos XVIII e XIX. Temos então uma pluralidade de identidades, caracterizada pelas diferenças. Por conta dessa variedade de identidades, povos e tradições, os diferentes grupos étnicos fizeram com que ocorressem em nosso país, um processo chamado de etnicidade, ou seja, grupos étnicos lutando e reivindicando algo na sociedade, tanto no âmbito econômico ou político,como ocorre com os índios e os negros.
Um exemplo de etnicidade e mobilização é a luta pela igualdade de oportunidades no trabalho e na educação, distribuição de renda,contra a discriminação étnica-racial (racismo), etc., que os negros travam no Brasil.
O Brasil é reconhecido como um dos países com maior diversidade étnica e cultural do mundo, apresentando uma população de 191,5 milhões de habitantes (dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 2009), espalhadas em 26 estados de federação, mais o Distrito Federal, que apresentam realidades culturais, sociais e econômicas diferentes.
É entre os finais do século XIX e início do século XX que acontecem os primeiros movimentos no sentido de construção de uma identidade nacional brasileira.
Como se vê, a Umbanda na identidade nacional brasileira impõe aprendizagens religiosa entre brancos e negros, trocas de conhecimentos, quebra de desconfianças: um projeto conjunto para a construção de uma sociedade justa, igual, equânime.

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ALENCASTRO, Luiz Felipe de, O trato dos viventes. São Paulo: Cia das letras, 2002.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_afro-brasileira – Acesso em 15 de Março de 2013.
AZEVEDO, Thales - “Democracia racial. Petropoles: vozes 1955.
ZEVEDO, Thales de. As Elites de Cor numa Cidade Brasileira. Um estudo de ascensão social & Classes Sociais e Grupos de Prestígio. 2 ed. Salvador: EDUFBA, 1996.
FERNANDES, Florestan. O Negro no Mundo dos Brancos; página 81-95. Editora Global. São Paulo, 2007.